de José Coêlho
O HOMEM EM PAIXÃO
Expressões de Espiritualidade
O meu primeiro contacto com a obra de José Coelho aconteceu quando cheguei como Pároco a Riachos! Passei pelo cruzeiro evocativo da lenda do “Achamento do Senhor Jesus dos Lavradores” colocado num canteiro do adro da Igreja Paroquial.
Algum tempo depois, tomei contacto com uma escultura a que José Coelho deu o nome, “Ressuscitei”. Traços estilizados, sugerindo a silhueta da Pietá. Do chão irrompe, na vertical, um tubo largo contendo no seu interior três varas de tamanho diferente.
Torna-se evidente que Coelho pretendeu, a seu jeito, representar o acontecimento da Ressurreição. É a materialização artística do acontecimento que S. Paulo descreve como o cerne da fé cristã: “Cristo morreu pelos nossos pecados; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia e apareceu a Pedro e depois aos Doze”.
Esta escultura foi executada para o Congresso sobre a Evangelização realizado em Lisboa em 2005.
Após o Congresso, José Coelho tem mantido a peça no interior da Igreja Paroquial.
Por ocasião da Festa da Bênção do Gado 2008, por sugestão, e, a seu pedido, José Coelho enriqueceu a área verde do adro da Paroquial com várias peças com diferentes denominações, todas elas, através de símbolos, apontam para situações em que manifestações de espiritualidade são uma constante. O “sofrimento humano”, “a máquina do tempo”, um “Ecce Homo”, “ paixão”, “vencer”, etc., são ideias concretizadas em material comum - o ferro – que precisamos de saber ler para compreender.
No Natal de 2008 José Coelho executou o “seu presépio” que colocou no adro, completando um conjunto de obras.
Na Páscoa de 2009, José Coelho retoma a temática da “paixão e libertação” concretizada em peças mais explícitas de Cristos crucificados, e numa obra especialmente feita para o Município de Meda a que deu o título de “Guerreiros e Paveias”. Com esta peça faz a aproximação entre “paveia” termo mais utilizado no Ribatejo e “meda”, termo mais usado Beira - vocábulos com o mesmo significado linguístico - conjunto de trigo ceifado pronto para a debulha.
Atrevo-me, também eu, a fazer uma aproximação com o que S. João diz a respeito do “Mistério Pascal”: “se o grão de trigo lançado à terra não morrer ficará só, mas, se morrer dará muito fruto”, da morte nasce vida nova!
José Coelho quis dar-nos o privilégio de expor, pela primeira vez, esta peça no adro da nossa Igreja. Em Maio viajará para Meda.
“Expressões de espiritualidade”!
A propósito da dimensão espiritual do homem, os bispos franceses em documento recente, advertem que “a economia e o trabalho não podem ter a última palavra na vida social”. A propósito, defendem o descanso dominical como uma forma de podermos usufruir dos bens do espírito. A arte, as expressões do belo, contribuem para a humanização da vida.
No diálogo com José Coelho encontramos esta preocupação de a tudo dar um sentido.
No forte emaranhado das suas ideias, expressões, e palavras, podemos encontrar esta outra dimensão do Homem. O olhar para lá do ferro!
Afirma-se com alguma frequência que o século 21, será o século da espiritualidade.
Edith Stein disse um dia que, quem procura sincera e apaixonadamente a verdade está no caminho de Cristo.
É importante que no diálogo com José Coelho sejamos capazes de encontrar a chave de leitura da sua obra. Ele conhece a sua génese, e a partir dessa ideia inicial, abre-nos a porta para outras leituras possíveis e legítimas.
Fernando Augusto.
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